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He-Man: o que aconteceu com os heróis masculinos da cultura pop?

Publicada em 08/06/26 às 17:18h - 19 visualizações

Michelson Borges


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He-Man: o que aconteceu com os heróis masculinos da cultura pop?
 (Foto: Michelson Borges)

Eu assistia He-Man nos anos 1980. Como milhões de crianças daquela geração, acompanhei as aventuras do homem mais poderoso do Universo. Hoje, mais de quarenta anos depois, muita gente que assistiu ao novo filme do herói tem se perguntado: O que aconteceu com os heróis masculinos da cultura pop?

Antes de prosseguir, é preciso reconhecer uma verdade: o desenho original estava longe de ser uma obra-prima narrativa. Os personagens eram simples, muitas vezes unidimensionais. Príncipe Adam, Teela, Mentor e Esqueleto funcionavam mais como arquétipos do que como personagens complexos. Mas talvez aí estivesse parte de sua força. He-Man representava coragem, força, liderança, responsabilidade e sacrifício. Era um protetor. Teela era forte, inteligente e competente. Mentor era sábio. Os personagens tinham defeitos, mas sabiam quem eram e qual era sua missão. O novo filme segue outro caminho.

O Príncipe Adam é apresentado como um profissional de recursos humanos vivendo na Terra. Boa parte da narrativa gira em torno de sua insegurança, sua crise de identidade e sua dificuldade de assumir responsabilidades. Críticos chegaram a descrever o filme como uma produção com “crise de identidade”, incapaz de decidir se queria ser uma celebração do herói clássico ou uma desconstrução dele.

Não há nada de errado em mostrar vulnerabilidade emocional masculina. A masculinidade bíblica nunca foi sinônimo de insensibilidade. Davi chorou, Jeremias chorou, o próprio Jesus chorou. O problema surge quando a vulnerabilidade deixa de ser um aspecto da personalidade e passa a definir o personagem inteiro.

Ao longo do filme, Teela frequentemente aparece como a figura mais decidida, competente e emocionalmente estável. Em si mesmo, isso não seria um problema. A Teela clássica sempre foi uma guerreira admirável. A questão é que sua força frequentemente parece construída em contraste com a fragilidade dos personagens masculinos. O resultado é uma inversão curiosa: enquanto o He-Man dos anos 1980 era um modelo de força que também demonstrava sensibilidade, o He-Man de 2026 parece frequentemente pedir desculpas por sua própria força.

Essa tendência não começou com He-Man. Ela aparece em diversas produções recentes. Os arquétipos masculinos tradicionais – o protetor, o líder, o pai responsável, o homem que assume riscos e carrega responsabilidades – são frequentemente retratados como ultrapassados, problemáticos ou motivo de piada. Em contrapartida, personagens femininas são cada vez mais escritas para ocupar o espaço heroico anteriormente reservado aos homens.

Curiosamente, isso acontece justamente com uma propriedade intelectual da Mattel, a mesma empresa por trás de Barbie. O contraste é revelador: enquanto o filme Barbie questionava modelos femininos tradicionais, He-Man parece fazer algo semelhante com modelos masculinos tradicionais. O resultado não é necessariamente a valorização da mulher; muitas vezes é a diminuição do homem. E isso é uma pena.

A sociedade não precisa de menos homens fortes; precisa de homens fortes e bons. Não precisa de menos liderança masculina; precisa de liderança masculina saudável. Não precisa de menos coragem; precisa de coragem temperada por amor, responsabilidade e serviço. Essa é, aliás, a visão apresentada na Bíblia.

A verdadeira masculinidade bíblica não é agressividade, autoritarismo nem machismo. Também não é passividade, indecisão nem fuga de responsabilidades. É a masculinidade de José, que resistiu à tentação. De Neemias, que reconstruiu os muros. De Boaz, que protegeu os vulneráveis. E, acima de todos, de Cristo, que uniu força e mansidão, autoridade e serviço, coragem e compaixão.

É justamente essa visão que procuro desenvolver em meu próximo livro, Homens Segundo o Coração de Deus, que será lançado em breve…

Talvez o problema não seja que a cultura pop esteja produzindo heróis masculinos mais sensíveis. O problema é que ela parece ter esquecido que sensibilidade sem coragem não produz heróis. E um mundo sem heróis dificilmente formará homens dispostos a proteger, liderar, servir e sacrificar-se pelos outros.

Fonte: Michelson Borges



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